Sacada


E então ela o chamou para conhecer sua sacada. O seu céu estrelado. O que só ela, dali, via. Nem se atentaram ao fato de que as nuvens o cobriam e que de estrela mesmo só duas. Mais brilhantes que qualquer uma que pudesse ser vista dali.

Conversa vai e vem, elogios alheios irônicos e azedos despejados naqueles cujas orelhas deveriam queimar. Só um contexto para aquilo que queriam e não tinham coragem de assumir sentados ali no chão. O frio tomava conta do ambiente. Não o frio de frio… quer dizer, o frio também, mas o frio de ansiedade era maior.

Meio que sem jeito ele se aproximou e ela se retraiu. Ela, de lado e fitando qualquer coisa abaixo, com seus longos cabelos castanhos e ondulados jogados do lado esquerdo cobriam sua timidez. Ele sabia que não se pode entrar no mundo de uma mulher sem antes bater na porta e pedir permissão. Muito menos se fosse para fazer bagunça. Mulheres já têm suas bagunças internas que bastam e não precisam da bagunça e irresponsabilidade de muitos homens que só isso têm a oferecer por aí. Tinha que ser com consentimento. Especial. Tinha que fazer certo.

Esperou paciente até que num instante que durou cerca de um milênio ela o fitou, seus olhos, as tais das duas estrelas da noite, brilhando como nunca, foram cobertos por suas pálpebras e, ali, o alívio, a ansiedade, adrenalina e o frio, que virara calor, dominaram a sacada sob o céu que, nublado, era o mais lindo de todos.

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