Alguns homens chamam de “virar gay”, algumas mulheres chamam de amadurecimento. Eu chamo apenas de mudança mesmo. Recentemente parei para pensar em minha atual vida de solteiro e foi quando me deparei com inúmeras saídas, mulheres, histórias, diversões e até confusões que valeram a pena. Sem motivo, só comecei a pensar. Aquele pensamento que te faz procrastinar um estudo, ou que preenche um banho silencioso, ou que é o motivo de não ligar o rádio quando dirigindo sozinho para algum lugar. Comecei a buscar, então, todas as realizações envolvidas e o que tirei de cada uma delas e deduzi que tudo não passava de puro vício. Entendam a palavra vício aqui como algo que você gosta de fazer, dá o prazer momentâneo e no dia seguinte, talvez até menos, aquilo já ficou no passado e você está em busca daquilo de novo. Ou seja, vício não te satisfaz, apenas te ilude e sacia suas vontades por alguns instantes. Assim como gosto de beber por vício, gosto de jogos de video-game e computador por vício, gosto de futebol por vício, gosto também de mulheres por vício.
Até então, onde está a mudança? Fazendo uma retrospectiva geral no que diz respeito a todos os meus vícios, descobri que o vício de mulher é o mais cansativo, mais ingrato e mais caro. Cansativo porque cansa, cansa e cansa muito correr atrás de mulher. Não vou entrar no assunto que envolve a mulher e sua habilidade de complicar tudo em sua volta, mas devo dizer que é cansativo demais tentar abordar alguma garota, principalmente para um tipo orgulhoso como eu, que não dá espaço a erros, que não admite imperfeições e nem, muito menos, admite derrotas. Abordar uma mulher requer não só destreza e auto-confiança, mas também uma grande quantidade de energia para que você vá dar a cara à tapa – às vezes literalmente – e tentar conseguir algo em meio a todas as possíveis reações desde as melhores e mais elegantes até as mais escrotas e nojentas de um ser humano que é a mulher nesse caso. E como homem eu garanto: é surpreendente os limites que isso pode chegar. Mas existem as elegantes e é bom que fique frisado, pois senão já viram o que podem pensar de mim depois de ler isso… Pessoas adoram vestir a carapuça das coisas mesmo que a elas não pertençam. Enfim… Com isso já podemos dizer que é ingrato. Você toma um copo de coragem – ou, para alguns, conhecido também como “vodka” – e vai abordar o alvo. Acreditem, mulheres, não é fácil fazer isso. Tanto não é fácil fazer quanto é fácil demais se deparar com o fracasso e aí todo o esforço e coragem vão para o limbo – ou para o vaso sanitário. E por que é caro? Caro porque convenhamos, um bom diamante você encontra numa mina de diamantes. Querer encontrar mulher bonita em festinha/lugar/balada meia boca não adianta. Ou melhor, adianta e às vezes sai até melhor, visto que estas não se ligam muito em futilidade, mas é raro e isso é fato irrevogável. Por isso sai caro. Há quem diga até – veja que não necessariamente eu concorde com isso – que não existe mulher feia e sim mulher pobre, leia-se “mal arrumada”. Às vezes sou obrigado a concordar. Vejo tanta mulher feia bem arrumada por aí que dá até para disfarçar.
E você aí pensando que só o que é tratado aqui é a beleza exterior. Oras, mas é claro. Estou falando de um vício onde em um dia me encho de prazer e no outro já estou em busca de novas experiências. É claro que vou dar prioridade à beleza. Óbvio e acho até que nem precisaria explicar isso aqui, porém vejo a necessidade uma vez que agora falamos da mudança em si. Visto que em comparação aos outros vícios que tenho este é o vício com pior custo/benefício e, por isso, acho que é hora de começar a tratar toda essa história de forma diferente. Imagine que você participa de um torneio onde o melhor colocado recebe uma medalha. Você sai à noite para um torneio assim, participa de uma prova onde possivelmente outros tantos participam também e só o melhor ganha a medalha. Familiar, não? E o que eu faço se ganhar essa medalha? Saio por aí no dia seguinte falando ou talvez mostrando a medalha que conquistei. Em dois dias no máximo a medalha está ali guardada como mais um número em meio às tantas outras que você já conquistou com o único intuito de você, um dia, olhar para trás e se gabar por elas. E aí? O que isso te acrescentou? Não acrescentou nada e é isso que pesa. Não vale a pena. Para quê treinar, tomar coragem, encarar o desafio e ganhar uma medalha? Se participo de um torneio é para ganhar, pela satisfação pessoal, pela glória e pelo que vou fazer com aquilo dali para frente como exemplo para minha vida. Realização própria. Talvez eu esteja mudando de ideia. Talvez eu esteja olhando para todas essas tantas mulheres bem vestidas de mini-saia ou vestido curto, maquiagem, sapatos de salto caríssimos sobre os quais só elas entendem e pensando que não vale o esforço.
Chega a ser irônico pensar que quando era menor eu fazia a festa, deitava e rolava, ou qualquer termo clichê que te faça entender que eu pegava muita mulher. Mas aquela era uma época diferente. Adolescência para não dizer pré-adolescência. Mudei uma vez porque me encontrei numa situação desagradável de paixão não correspondida e vivi momentos muito bons por conta dessa mudança. No que se considera vida, ou seja, quando você começa a ter consciência das coisas, posso dizer que passei minha vida inteira namorando. Não é estranho dizer que sou para casar. Tive minhas menininhas aí antes dessa vida, mas naquela época era fácil. Na época difícil eu já estava em outra sintonia, buscava relacionamentos sérios e, não sendo segredo para ninguém, passei cerca de seis anos namorando uma garota atrás da outra, ficando com algumas perdidas nos intervalos de cada namoro. Agora que estou novamente solteiro há tanto tempo e quebrei esse ritmo para, como dizem por aí, “curtir a vida”, sinto esse vazio que só o modo como vivi pode me proporcionar. Não quero dizer que vou conhecer qualquer garota para ter algo sério. Acho radical demais. O que quero dizer é que em tempo que não vale a pena arriscar toda a minha energia com medalhas, talvez valha gastar por conquistas maiores como um bom relacionamento seja ele amoroso ou não. Curtir a vitória, curtir a mulher, ver o que está por de trás da maquiagem, ver o que a faz estar ali, conhecer o porquê de suas atitudes e sentir que assim como eu tenho toda uma história de vida para contar, ela também tem. Hoje sinto que há muito mais a se conquistar num relacionamento amigável ou amoroso do que num prazer de uma noite. O que mais aquela pessoa tem para me oferecer? Como ela pode preencher o vazio que eu sinto? E se depois de um nível aceitável de conhecimento para um possível início, peguei?, poxa, quem sabe uma amizade, quem sabe novos encontros, novas experiências, novas pegações, tirar e explorar mais daquele feito.
Não sou hipócrita, uma garota bonita que der a brecha para apenas uma noite será muito bem aceita, mas hoje digo que não mais é minha prioridade. Vejo-me na iminência dessa mesma mudança que tive quando me apaixonei e não fui correspondido. Tenho uma vida inteira pela frente, embora já tenha muita bagagem assim como aquela garota com quem agora pretendo conversar mais e beijar menos. Explorar mais dela e doar mais de mim, este é o propósito. Ninguém sai perdendo, muito pelo contrário.
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