Louca sanidade

Dias como esse é que desperto um certo medo. Medo de mim mesmo no que diz respeito ao meu estado de humor. Deparo-me contra meu próprio desânimo e pergunto-me até onde ele alcança. Ao mesmo tempo que exijo sair com várias pessoas e/ou para lugares muito agitados para que assim eu possa perder minha cabeça e esquecer de minha vida, também sinto a vontade de me jogar e me afogar no poço de mágoas que há muito reside em mim e até hoje não tive coragem de explorá-lo pelo puro medo inicialmente citado.

Já não sinto tanta liberdade para fazer o que quer que seja com quem quer que seja. Cada vez mais seleto com as coisas que me oferecem e com a companhia que escolho. Todo meu medo se canaliza e parece finalmente tomar um caminho diante da bifurcação anterior. Pessoas me entediam e me enjoam cada vez mais. Paciência me é escassa cada dia mais e a intolerância só aumenta. Estou muito próximo de passar pela bifurcação e escolher deixar de fazer tudo com os outros para então fazer nada sozinho. Começo a ver sentido nos personagens fictícios que se isolam em balcões de bares matando de overdose alcoólica quase que literalmente suas amarguras da vida. Já não vejo como loucura, em tempo que antes via – e sei disso. Talvez por tal eu esteja com a irônica sanidade de me ver louco.

Não culpo ninguém por não conseguir me entreter, muito embora fique com a sensação de que ninguém me é suficiente. Não porque sou melhor que os outros – e finalmente vi isso -, mas porque estou num estado de sanidade tão mais avançada que os que estão ao meu redor que isso está me deixando realmente louco e insatisfeito.