Louca sanidade

Dias como esse é que desperto um certo medo. Medo de mim mesmo no que diz respeito ao meu estado de humor. Deparo-me contra meu próprio desânimo e pergunto-me até onde ele alcança. Ao mesmo tempo que exijo sair com várias pessoas e/ou para lugares muito agitados para que assim eu possa perder minha cabeça e esquecer de minha vida, também sinto a vontade de me jogar e me afogar no poço de mágoas que há muito reside em mim e até hoje não tive coragem de explorá-lo pelo puro medo inicialmente citado.

Já não sinto tanta liberdade para fazer o que quer que seja com quem quer que seja. Cada vez mais seleto com as coisas que me oferecem e com a companhia que escolho. Todo meu medo se canaliza e parece finalmente tomar um caminho diante da bifurcação anterior. Pessoas me entediam e me enjoam cada vez mais. Paciência me é escassa cada dia mais e a intolerância só aumenta. Estou muito próximo de passar pela bifurcação e escolher deixar de fazer tudo com os outros para então fazer nada sozinho. Começo a ver sentido nos personagens fictícios que se isolam em balcões de bares matando de overdose alcoólica quase que literalmente suas amarguras da vida. Já não vejo como loucura, em tempo que antes via – e sei disso. Talvez por tal eu esteja com a irônica sanidade de me ver louco.

Não culpo ninguém por não conseguir me entreter, muito embora fique com a sensação de que ninguém me é suficiente. Não porque sou melhor que os outros – e finalmente vi isso -, mas porque estou num estado de sanidade tão mais avançada que os que estão ao meu redor que isso está me deixando realmente louco e insatisfeito.

Cento e uma velas no bolo.

Uma estrela centenária brilha esta noite. Hoje, por volta das 17h30, minha bisavó faleceu. Ela deixa este mundo 101 anos após adentrá-lo e não, não errei o número. 101 anos de lições e exemplos dos quais participei menos – e sinto dizer que foi bem menos – de um quarto do total. Sinto-me triste? Não, pelo contrário, sinto-me orgulhoso e satisfeito o suficiente para fazer jus a sua idade. Da última vez que perdi alguém que de alguma forma ocupava um espaço do meu existir, escrevi um texto que não dizia muito do que queria, mas que pareceu o suficiente para quem precisava de algo para ler ou escutar, mesmo que a intenção não fora exatamente essa, mas que fico feliz de que tão surpreendente quanto não intencionalmente ajudou como ajudou. Hoje, como se trata de minha família, escrevo para mim o que vier a ser necessário para mim, para o meu desabafo. Sendo assim, portanto, aproveitarei para falar de um assunto que inegavelmente me atrai em ambos os sentidos da expressão: a morte.

O que é a morte? Morte para mim é o fim, o término de uma etapa. E como todo fim e toda etapa tem um começo e um processo, acredito que seja mais fácil entender antes o que são esses dois que se resume em algo chamado “vida”. O que é vida? A vida é uma das coisas, senão a coisa, mais antiga que se conheceu. Acho que a primeira coisa que algum ser pensante pensou, mesmo que não tivesse consciência disso, foi sobre a existência da vida. Desde então o ser pensante, que agora chamarei de ser humano, lida com a vida da melhor forma que pode e lhe convém, o que engloba altos e baixos, o que engloba lados ruins, o que engloba emoções, o que engloba tristeza, o que engloba maus estados de espírito. E a evoluação continua, passa pelas eras, civilizações criadas, histórias e culturas diferenciadas, os anos passam, até aque chegamos nos dias atuais. E nos dias atuais, o que se resume de uma vida são altos e baixos, o que engloba mau estado de espírito, o que engloba um motivo, o que engloba a perda, o que engloba o tema em questão.

O ser humano não sabe perder. Nunca soube e finge que sabe. E o mais interessante de tudo é que um dos piores estados de espírito que se pode descrever numa vida atualmente se trata justamente na perda de alguém, ou seja, uma pequena parte ou momento de toda uma vida se encontra com o fim de outra. O mau estado de um se depara com a ausência de estado de outro, atenção, desde sempre. Há milhares e milhares de anos, pelo menos desde que a história, em memória e registros feitos pelo homem, pode alcançar, o ser humano sofre com a perda. Sofre com a morte. E assim comprovo e fica muito claro o fato de que o ser humano não sabe perder. Existem perdas menores e maiores, mas ainda são perdas e aquele que sente é porque não está totalmente preparado.

O fim de uma vida, e agora falamos objetivamente da morte, é tratado e encarado pela maioria de nós, em muitas partes do mundo, da mesma forma. O ser humano vê a morte como algo totalmente inusitado, como se não acontecesse com ninguém e, como num ápice de insanidade mental, assusta-se e tende a não aceitar quando ocorre. Sinto muito. Lamento. Não é assim. Sábios são aqueles que sabem disso. Ingênuos são aqueles que sabem e vivem cada dia como se fosse o último. Muito sábios são aqueles que tentam e conseguem viver cada dia como se fosse único – parafraseando um professor de filosofia e filósofo pelo qual tenho muito respeito, Mário Sérgio Cortella.

Minha bisavó deixa nosso mundo e minha família depois de 101 anos. Hoje tenho 22 e já reclamo e me sinto velho. Tão velho quanto envergonhado por saber tão pouco, de tudo, sobre tudo, enquanto uma carismática senhora parte com mais de quatro vezes mais experiência em anos de altos e baixos e estados de espírito que eu nem sequer sei dizer se um dia terei, mas que certamente e infelizmente, entre eles, muitas perdas ainda virão e muitos apertos por não saber perder ainda todos nós sentiremos.

Em memória de minha adorável bisavó Alice, ou Biga, como a costumávamos carinhosamente chamar, pelos seus cento e um anos de altos e baixos, de estados de espírito, de voltas ao Sol e de primaveras e outonos que ela deixou para trás e que, certamente, com sua ausência, conseguiu extender por mais tantos anos até que o último de nossa família que dela lembre também se perca.

Satisfação

Por muito tempo busquei – e não quer dizer que pararei de buscar – a perfeição no texto. Busquei escrever algo que me deixasse realmente satisfeito e que me fizesse pensar “Sim, este texto ficou realmente muito bom. Nada a reclamar.”, mas nunca consegui fazê-lo. Até que hoje eu achei o consolo de que e quem precisava.

“Poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz.”
–Mário Quintana

Típicas qualidades

Sou um típico cara de muitos conhecidos e poucos amigos. Sou um típico cara de muitas mulheres, poucas paixões e nenhum amor. Sou um típico cara que tenta enxergar ao invés de somente olhar. Sou um típico cara que sei que nada sei e quero saber sempre mais, o que não quer dizer que sempre busque saber mais, pois também tenho meus defeitos e deslizes de inércia. Sou um típico cara com defeitos, o que não quer dizer que somente eles eu sempre transpareça – embora deixe essa impressão para muitos e em quantidade demasiada -, pois também tenho minhas qualidades e as qualidades, só enxergam aqueles que sabem que nada sabem, aqueles que mesmo com corriqueiras inércias ainda querem saber o mais e, enfim, aqueles que sabem não somente olhar.

Não exatamente minha opinião sobre o caso BBB12.

Não é do meu feitio e eu não ia realmente falar nada sobre isso, nem escrever, nem comentar com ninguém, apenas porque este programa Big Brother Brasil ao qual vocês assistem simplesmente não atinge o meu patamar de cultura. Entretanto, muitas vezes se torna irritantemente inevitável ficar sabendo de casos decorridos dentro da “Nave Mãe” via comentários alheios e, hoje em dia, mais facilmente ainda através da internet que hoje tem, mais do que nunca, um nível muito baixo entre os brasileiros, mas que é assunto para outro momento.

Foi assim do BBB1 ao BBB5, também do BBB6 ao BBB10 e tem sido do BBB11 a este BBB12 – que confesso só saber o número de sua edição porque sei que sempre coincide com o número do ano em questão. Um bocado de pessoas confinadas numa casa onde, teoricamente, coisas acontecem ao vivo 24/7 e nós, telespectadores, temos acesso às suas intimidades. Porque o ser humano gosta disso. Ser humano gosta do fútil. Ser humano gosta de cuidar da vida dos outros, embora diga que não e só falte sair as ruas apenas com suas roupas de baixo em protesto para que, como sempre, OS OUTROS parem de cuidar de sua vida e passem a cuidar das próprias. Mas ignorância e hipocrisia são características típicas, principalmente do brasileiro cuja cultura tenho alcance, por isso não vou falar das outras. E desde sempre, ou desde 2001, vi o sentido de tudo isso e não me interessei nesse tipo de entretenimento, muito embora tenha que conviver com aqueles que se interessam. Tendo isso em vista, é mais do que comum ficar a par de caso ou outro que acontece ali e se irritar e/ou tentar ignorar, da mesma forma que é fácil saber quando seus vizinhos de cima estão fazendo sexo quando seu prédio quase não tem projeto de acústica. Assim também foi o último caso que vem dando o que falar. Algo relacionado a estupro.

Como todos os outros casos, tenho em minha cabeça que não me envolverei em tal futilidade e com este não seria diferente. Porém, uma amiga que, obviamente, não terá seu nome citado, bem como as outras pessoas que se voltam a este digníssimo entretenimento ímpar similar à Política do Pão e Circo só que pior, sem o pão, não se conteve e veio me perguntar ontem o que eu achava sobre o caso. Com toda a sutileza de um cachorro peludo que acaba de sair de uma piscina e vai até entre as mulheres que tomam sol esticadas no chão para se chacoalhar e tirar a água de seus pêlos de que me é característica, respondi que não estava acompanhando e mal estava sabendo o que ocorrera. A garota pareceu juntar toda sua indignação acumulada em mais de vinte anos de vida como se a Terra tivesse parado de girar e vomitou sobre mim uma pergunta clássica: “Meu Deus! Em que bolha você vive?!?!”

Como sempre defendi à risca um dos maiores ensinamentos de meu amigo Tom, “Não discuta sobre aquilo que não sabe.”, disse a ela que parecia interessante o caso – afinal, da forma como ela falou, eu deveria ser um ignorante e tentei mascarar essa falha em minha personalidade por não saber sobre o caso BBB12 – e que buscaria conhecimento para que só depois falasse sobre o assunto. Enfim, busquei e decidi escrever porque, vocês sabem, eu tenho esta necessidade de falar, filosofar e dissertar quando algo me incomoda.

Vamos aos fatos mais relevantes:
Um rapaz negro e uma moça gostosa – regular palavras para quê? ela é mesmo – que se envolveram numa festa, entuxaram a cara de álcool e se recolheram na mesma cama, debaixo do mesmo edredom. Câmeras a posta, começaria a putaria. Fui assistir ao vídeo do momento e… sério que vocês enxergaram um estupro ali? Eu vi um edredom se mexendo, uns gemidos e depois de muito tempo consegui identificar quem era quem e em que posição estavam em relação ao outro e vocês viram UM ESTUPRO, crianças do meu Brasil varonil? Estupro é o que vocês fazem com meus ouvidos e olhos há doze anos falando a respeito sobre esse programa!

Muito bem, chilique à parte, descobri que o rapaz estava sendo julgado, a mulher estava sendo julgada, o meu papagaio estava sendo julgado, e todo mundo falando que ela estaria inconsciente, dormindo, ou qualquer coisa que dê a entender que a moça estava fora da capacidade de decidir se queria ou não fazer aquilo – ou receber aquilo – com o rapaz. Em primeiro lugar, a envolvida relatou que estava sim consciente e que quando o clima começou a esquentar ela o mandou sair da cama e ele saiu. Apesar de que ela deixou a dúvida de talvez não ter certeza no outro dia sobre o que acontecera depois de dormir, mas até aí, você, meu amigo que gosta de umas biritas, nunca falou isso também sobre não lembrar daquela gordinha da noite anterior? E em segundo lugar, se isso é caracterizado como estupro, começo a me preocupar com o tamanho da lista de estupros que já cometi por causa desse negócio chamado álcool. Não me entendam mal. Nunca abusei de ninguém, que eu me lembre, mas certamente já me envolvi bêbado com garotas também bêbadas e sei lá o que aconteceu. Aliás, o cara não estava bêbado também? E se foi ela quem armou tudo isso para o cara?

Sendo assim, só me vem uma coisa na mente: a Rede Globo é FODA! Sim, foda mesmo, no sentido de inteligente, gênio, esperto. Não, não gosto da Globo assim como você provavelmente está pensando que também não gosta, apesar de você assistir ao BBB, mas eu devo admitir que ela sabe o que faz e faz muito bem! A forma como ela manipula as coisas, as informações, as MENTES FRACAS das pessoas é genial e, depois de tantos anos, tornou-se extremamente eficiente em fazer isso. Hoje mal se conhece a veracidade deste reality show, mal se sabe sobre as falcatruas e manipulações que o mesmo sofre, mas mesmo assim, o povo é fiel à audiência como um cachorro que espera ao lado da porta todos os dias seu dono que foi para a guerra voltar. E a Globo sabe disso, conhece seu público e sabe a melhor forma de fazer com que a história se desenrole para que todos falem, discutam e dêem, cada vez mais, de forma contagiante, ibope ao show. Tudo foi tão milimetricamente armado, revisado, exposto, que até as autoridades meteram o nariz na “Nave Mãe” que é conduzida e pilotada pelo mestre idolatrado, e tido como sábio, Bial. E foi aí que a Globo se consagrou vitoriosa. Quando até mesmo aqueles que muito têm o que fazer se voltaram, como o Olho de Sauron que muito tem o que monitorar se volta suibtamente para quem veste O Anel, para o programa tanto quanto o público para tentar resolver o caso que, neste momento, era a menor das preocupações da administração da emissora e do BBB. A Globo é foda!

Na realidade, quando pouco sabia sobre o tema de estupro n’A Casa, eu torci para que crescesse sim. Mas de forma que virasse um escândalo e que acabasse com o reality show. Quando vi que as autoridades tinham se metido ali vibrei de supetão, ingênuo, pois torcia para que fosse um escândalo tão grande que o programa tivesse de ser interrompido ou que fosse declaradamente sua última edição. Quase caí nos tentáculos manipuladores da Globo mesmo não me interessando pelo BBB.

Ontem, meditando sobre tudo o que se passou e no que a Globo tinha conquistado, tive a notícia de que o rapaz fora expulso do jogo e me veio em mente uma atitude que eu, se estivesse no lugar da mulher envolvida, faria: Chegaria na primeira câmera, logo depois do jovem sair da casa, e diria “Eu estava consciente, estava querendo e digo mais, foi muito bom! Estupro é o cara#%$!”
Pensando nisso tive a idéia de quão ingênuos e ineficientes todos são para quando da resolução do caso. Se a Globo quisesse realmente resolver, era fácil colocá-los numa sala com TV – poderia até ser o quarto lá onde eles votam cujo nome me fugiu agora – junto com as devidas autoridades, junto com o Boninho, o Bial, um telespectador para testemunha, o meu papagaio de novo, o papa, enfim, e passar o vídeo para todos assistirem. Viram para a mulher e perguntam: “E AÍ, FILHA? TAVA QUERENDO OU NÃO TAVA QUERENDO?” Como quem diz “Foi estupro ou não?”. É fácil. Acontece que o povo quer decidir por ela se foi estupro quando na realidade quem tem que dar a última carta é ela. Se ela virasse e falasse “sim, foi estupro, não tinha consciência”, pronto. E se ela virasse “não, não foi, eu queria mesmo e estava consciente”, pronto também. Assim como acontece na vida real, a mulher contata a polícia e relata o estupro. Afinal, reality show não era para ser sobre a vida real?

Era muito fácil resolver o problema, não precisaria de nenhum metido a inteligente, a advogado, a delegado, ao diaboa4 falando sobre código penal, direitos humanos, mimimi, blablablá. O que precisa mesmo é de gente inteligente, gente que não se liga em futilidade e que ao menos se preocupa em não ser manipulado pela Globo que é SÓ MAIS UM meio de manipulação do nosso sistema atual. Mas é como já disse, o ser humano gosta de não pensar e como já dizia o professor de Artes Cênicas da Unicamp, Roberto Mallet, “tendem a inércia, ao adormecimento, se deixarmos, o homem vira de lado e dorme”.

E para completar, finalmente então respondendo à primeira pergunta:
Acho que o correto não é perguntar em que bolha EU vivo.

2012

Cá estou a escrever o último post deste ano que tanto criou expectativas em seu início. Expectativas porque eu não sabia o que estava por vir. Era uma nova vida, costumes, enfim… E não tenho o que reclamar. 2011 foi um ano bom. No último reveillon, quando levantei minha latinha de cerveja e brindei a real “primeira do ano”, que tanto já ficou famosa por aí entre mim e meus amigos, estava já fazendo votos de tudo que pudesse ser bom, principalmente para mim, afinal não tinha muito chão para andar. Precisava mesmo é construir novos caminhos sozinho. E construí. Construí bem.

Enfim o ano mais uma vez acaba e nos damos conta disso bem em cima da hora. Nos pegamos comemorando a entrada de mais um novo ano que até tempos atrás nem aparecia em nossa mente. Assim como foi ano passado e retrasado e anterior e anterior…

Aproveito para desejar bons votos aos que ao meu lado construíram um 2011 cheio de histórias, risadas, emoções. Aqueles que continuaram comigo, aqueles que surgiram e também aqueles que se foram de uma forma ou de outra. 2011 não teria sido como foi. E como toda obra que é feita, qualquer mudança poderia ter sido crucial, portanto, só tenho a agracê-los por isso, pois não sei como seria se um de vocês sequer não tivesse feito o que fez.

Em 2012 espero que o ano seja para essas pessoas tão bom quanto espero que seja para mim. O mesmo desejo a vocês fiéis leitores que nem se manifestam aqui, mas que, neste ano, fiquei feliz em descobrir que existem. :)

Um forte abraço e boa festa!

EDIT: Mano, vou ter que escrever outro texto depois. Estou meio alcoolizado e este ficou realmente muito ruim. Queria escrever um neste ano ainda, mas acho que já é tarde.
Prometo escrever um decente em 2012.
Forte abs!

Esquecer o brilho de um luar.

Dos mais lindos que já vi, está entre eles.
Hoje quero esquecer. Esquecer para que nunca mais precise fantasiar e esperar novamente. Repentino e hipnotizante ele se forma e logo se vai. Tolos são os que desperdiçam a oportunidade de assim que surge vê-lo.

Tão forte e marcante quanto rápido e hipnotizante. Pronto, ele já se foi e você agora tem que trabalhar para mais um, e mais um, e mais um…

Quando se vê na situação de não mais poder vislumbrar um sequer, ainda que a atual circunstância não permita talvez nunca mais, parece que até a lua chora. Chora em não poder ver e sentir a beleza de algo tão simples.

Agora outro têm oportunidade de ver e você só inveja e relembra passo a passo, instante a instante. Lábios que se portam simetricamente, bochechas que se comprimem e olhos que quase se fecham num brilho que até parece essa lágrima que a lua acabou de derrubar sobre seu colo. Assim é aquele sorriso da garota que você, talvez, não mais veja.

O dia em que descobri que sou para casar.

Alguns homens chamam de “virar gay”, algumas mulheres chamam de amadurecimento. Eu chamo apenas de mudança mesmo. Recentemente parei para pensar em minha atual vida de solteiro e foi quando me deparei com inúmeras saídas, mulheres, histórias, diversões e até confusões que valeram a pena. Sem motivo, só comecei a pensar. Aquele pensamento que te faz procrastinar um estudo, ou que preenche um banho silencioso, ou que é o motivo de não ligar o rádio quando dirigindo sozinho para algum lugar. Comecei a buscar, então, todas as realizações envolvidas e o que tirei de cada uma delas e deduzi que tudo não passava de puro vício. Entendam a palavra vício aqui como algo que você gosta de fazer, dá o prazer momentâneo e no dia seguinte, talvez até menos, aquilo já ficou no passado e você está em busca daquilo de novo. Ou seja, vício não te satisfaz, apenas te ilude e sacia suas vontades por alguns instantes. Assim como gosto de beber por vício, gosto de jogos de video-game e computador por vício, gosto de futebol por vício, gosto também de mulheres por vício.

Até então, onde está a mudança? Fazendo uma retrospectiva geral no que diz respeito a todos os meus vícios, descobri que o vício de mulher é o mais cansativo, mais ingrato e mais caro. Cansativo porque cansa, cansa e cansa muito correr atrás de mulher. Não vou entrar no assunto que envolve a mulher e sua habilidade de complicar tudo em sua volta, mas devo dizer que é cansativo demais tentar abordar alguma garota, principalmente para um tipo orgulhoso como eu, que não dá espaço a erros, que não admite imperfeições e nem, muito menos, admite derrotas. Abordar uma mulher requer não só destreza e auto-confiança, mas também uma grande quantidade de energia para que você vá dar a cara à tapa – às vezes literalmente – e tentar conseguir algo em meio a todas as possíveis reações desde as melhores e mais elegantes até as mais escrotas e nojentas de um ser humano que é a mulher nesse caso. E como homem eu garanto: é surpreendente os limites que isso pode chegar. Mas existem as elegantes e é bom que fique frisado, pois senão já viram o que podem pensar de mim depois de ler isso… Pessoas adoram vestir a carapuça das coisas mesmo que a elas não pertençam. Enfim… Com isso já podemos dizer que é ingrato. Você toma um copo de coragem – ou, para alguns, conhecido também como “vodka” – e vai abordar o alvo. Acreditem, mulheres, não é fácil fazer isso. Tanto não é fácil fazer quanto é fácil demais se deparar com o fracasso e aí todo o esforço e coragem vão para o limbo – ou para o vaso sanitário. E por que é caro? Caro porque convenhamos, um bom diamante você encontra numa mina de diamantes. Querer encontrar mulher bonita em festinha/lugar/balada meia boca não adianta. Ou melhor, adianta e às vezes sai até melhor, visto que estas não se ligam muito em futilidade, mas é raro e isso é fato irrevogável. Por isso sai caro. Há quem diga até – veja que não necessariamente eu concorde com isso – que não existe mulher feia e sim mulher pobre, leia-se “mal arrumada”. Às vezes sou obrigado a concordar. Vejo tanta mulher feia bem arrumada por aí que dá até para disfarçar.

E você aí pensando que só o que é tratado aqui é a beleza exterior. Oras, mas é claro. Estou falando de um vício onde em um dia me encho de prazer e no outro já estou em busca de novas experiências. É claro que vou dar prioridade à beleza. Óbvio e acho até que nem precisaria explicar isso aqui, porém vejo a necessidade uma vez que agora falamos da mudança em si. Visto que em comparação aos outros vícios que tenho este é o vício com pior custo/benefício e, por isso, acho que é hora de começar a tratar toda essa história de forma diferente. Imagine que você participa de um torneio onde o melhor colocado recebe uma medalha. Você sai à noite para um torneio assim, participa de uma prova onde possivelmente outros tantos participam também e só o melhor ganha a medalha. Familiar, não? E o que eu faço se ganhar essa medalha? Saio por aí no dia seguinte falando ou talvez mostrando a medalha que conquistei. Em dois dias no máximo a medalha está ali guardada como mais um número em meio às tantas outras que você já conquistou com o único intuito de você, um dia, olhar para trás e se gabar por elas. E aí? O que isso te acrescentou? Não acrescentou nada e é isso que pesa. Não vale a pena. Para quê treinar, tomar coragem, encarar o desafio e ganhar uma medalha? Se participo de um torneio é para ganhar, pela satisfação pessoal, pela glória e pelo que vou fazer com aquilo dali para frente como exemplo para minha vida. Realização própria. Talvez eu esteja mudando de ideia. Talvez eu esteja olhando para todas essas tantas mulheres bem vestidas de mini-saia ou vestido curto, maquiagem, sapatos de salto caríssimos sobre os quais só elas entendem e pensando que não vale o esforço.

Chega a ser irônico pensar que quando era menor eu fazia a festa, deitava e rolava, ou qualquer termo clichê que te faça entender que eu pegava muita mulher. Mas aquela era uma época diferente. Adolescência para não dizer pré-adolescência. Mudei uma vez porque me encontrei numa situação desagradável de paixão não correspondida e vivi momentos muito bons por conta dessa mudança. No que se considera vida, ou seja, quando você começa a ter consciência das coisas, posso dizer que passei minha vida inteira namorando. Não é estranho dizer que sou para casar. Tive minhas menininhas aí antes dessa vida, mas naquela época era fácil. Na época difícil eu já estava em outra sintonia, buscava relacionamentos sérios e, não sendo segredo para ninguém, passei cerca de seis anos namorando uma garota atrás da outra, ficando com algumas perdidas nos intervalos de cada namoro. Agora que estou novamente solteiro há tanto tempo e quebrei esse ritmo para, como dizem por aí, “curtir a vida”, sinto esse vazio que só o modo como vivi pode me proporcionar. Não quero dizer que vou conhecer qualquer garota para ter algo sério. Acho radical demais. O que quero dizer é que em tempo que não vale a pena arriscar toda a minha energia com medalhas, talvez valha gastar por conquistas maiores como um bom relacionamento seja ele amoroso ou não. Curtir a vitória, curtir a mulher, ver o que está por de trás da maquiagem, ver o que a faz estar ali, conhecer o porquê de suas atitudes e sentir que assim como eu tenho toda uma história de vida para contar, ela também tem. Hoje sinto que há muito mais a se conquistar num relacionamento amigável ou amoroso do que num prazer de uma noite. O que mais aquela pessoa tem para me oferecer? Como ela pode preencher o vazio que eu sinto? E se depois de um nível aceitável de conhecimento para um possível início, peguei?, poxa, quem sabe uma amizade, quem sabe novos encontros, novas experiências, novas pegações, tirar e explorar mais daquele feito.

Não sou hipócrita, uma garota bonita que der a brecha para apenas uma noite será muito bem aceita, mas hoje digo que não mais é minha prioridade. Vejo-me na iminência dessa mesma mudança que tive quando me apaixonei e não fui correspondido. Tenho uma vida inteira pela frente, embora já tenha muita bagagem assim como aquela garota com quem agora pretendo conversar mais e beijar menos. Explorar mais dela e doar mais de mim, este é o propósito. Ninguém sai perdendo, muito pelo contrário.

Balanço Geral

O ano está acabando e, não surpreendentemente, está acabando para todos. Sim, acredite se quiser. E quando o ano acaba todos comemoram sua virada, sua renovação, um começo de algo que, dali alguns meses, será celebrado o seu término mais uma vez. Assim o ciclo se repete desde os primórdios quando o homem criou essa história de celebrações no calendário. Pouco à frente disso, foi-se criado também a retrospectiva, algo que é muito comum entre todos os seres pensantes deste planeta que visam melhoramentos em suas vidas. Irônico não é? Não deixo de pensar como um engenheiro que sempre vê algo que pode melhorar. Um upgrade. Novas versões. Mas não vou cair para este lado senão aí que meu blog fica abandonado mesmo. Falarei em termos gerais. Que tipo de melhoramentos são esses? A fase em que passamos, o ano ruim que vivemos, os erros que cometemos. Entra ano e sai ano. Sempre temos o que melhorar e, mais frequente ainda, sempre vemos o que os outros devem melhorar. Soa familiar, não? Ano de bosta. Não vejo a hora de esse ano acabar. Um monte de coisa deu errado… “Gente que entra e sai de sua vida, só os importantes ficam e os que vão embora deixam algo bom para você ou que você possa usar…” E aí? Vai ficar nessa? Vai ficar reclamando até quando? Até 31 de dezembro? Porque magicamente seus problemas melhoram quando seu relógio digital passa a marcar 2012 não é?

Roupas novas, agenda nova, cabelo novo, horários novos. Pessoas quase sempre iguais, lugares iguais, rotina igual e você, se não se cuidar, igual. Já parou para pensar que grande parte do seu ano de bosta foi culpa sua? Já parou para pensar que não precisa esperar 31 de dezembro para fazer uma retrospectiva, desejar com os pés no mar e dar pulinhos para que tudo mude? Meus caros, só o relógio, agenda, cabelo, roupas e outras coisas superficiais que mudam. Você continua aí, garotão. E o que está fazendo quanto a isso? Só pensando? Fazendo o seu balanço geral? Daqui doze meses você estará aí de novo, não tenho dúvidas. Esperar para quê? Preciso contratar atores da Globo para vir aqui e te convencer de que as coisas da sua vida são decididas aqui e agora? Você fica com sede, desce as escadas no escuro para ir até a cozinha, cai da escada e arrebenta tornozelo, braço e o resto que você tem da sua cabeça. Pronto! Seu mês seguinte não será mais o mesmo porque você decidiu tomar água agora e não antes. Ou porque não decidiu acender a luz. Ou porque foi pulando degraus…

Sua vida é feita por decisões que você mesmo faz. Você a molda. Pare de ler por um momento, olhe ao seu redor e veja o resultado de tudo o que você decidiu.

 

Surpreendente não é? Amedrontador eu diria. Portanto, caia na real. Seu ano de bosta pode ter sido culpa sua e não do cara chato que passou por ele e não disse tchau e nem sequer ligou no dia seguinte… Seu ano de merda pode ter sido culpa sua e não dos seus camaradas que você não vê porque, segundo você, os caras se distanciaram.
Porra, você se importa com o cara? Liga para ele então. É decisão sua não falar com ele mais. Ele te magoou? Fale para ele! Fica aí angustiada e ele achando que está tudo bem. Quando terminar o ano você vai reclamar do seu ano de bosta e ele vai achar que fez tudo certo. Por decisão SUA!
Porra, os caras se distanciaram? Corra atrás por um final de semana. Abra mão de uma balada, abra mão de umas “vagabundas de balada que ontem eram santinhas namoradas de homens que não souberam como valorizar uma mulher”. Pegue sua cerveja e apareça na casa dele. Bote assuntos em dia. Diga que sente falta da companhia. Depois se distanciam de novo e você vai e faz de novo. Qual o problema? Ele deverá ter essa consciência também hora ou outra, mas pelo menos você sabe que quem vai ter que decidir é ELE e não VOCÊ.

Sua vida tá nisso aí porque você decidiu que ela ficasse assim. Seu ano foi um lixo porque você decidiu que ele fosse. E daqui um mês mais ou menos você estará pulando ondinhas no mar fazendo promessas e desejos que só se cumprirão se você decidir correr atrás deles. Vá se ferrar, cara. Vá ali ao seu banheiro agora, ligue a merda do seu chuveiro e pule sete ondinhas e mude suas decisões agora!